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Leandro Vuaden foca na preparação física para estender carreira na arbitragem

Segunda, 22 de Fevereiro de 2021
Vuaden tem 45 anos


Leandro Pedro Vuaden foi entrevistado pelo Grupo Encantado de Comunicação (GECom). Aos 45 anos, o roca-salense revelou que está longe de abandonar o futebol, avaliou de forma positiva a implementação do Árbitro de Vídeo e se mostrou esperançoso quanto a profissionalização da arbitragem no Brasil. 
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GECom: Como avalia a temporada nessa situação da pandemia?
Vuaden:
A primeira preocupação é com a saúde. Essa pandemia, se alguém falasse um tempo atrás ninguém acreditaria e olha o que aconteceu... Temos que respeitar os protocolos. As entidades responsáveis repassaram as orientações e cabe a nós respeitar. Eu tenho feito a minha parte, evitando aglomerações. Mas é uma situação atípica. O futebol voltou, mas a sociedade ainda não.

GECom: Como foi o período sem apitar considerando que a arbitragem não tem a mesma remuneração dos jogadores?
Vuaden:
Como sou árbitro mais veterano, sei que o mês pra mim tem mais que 30 dias. Quando recebo, apito. Caso contrário, não tem entrada de dinheiro. Então me organizo dentro do que sei que será gasto e aquilo que se imagina receber. O efeito surpresa veio, mas a CBF através do presidente da Comissão de Arbitragem, para nossa sorte, teve um gesto excepcional para nós árbitros. Foram depositados valores referentes a maior taxa que cada profissional recebeu em 2019. Foi um gesto grandioso, demonstrou preocupação. Não temos carteira assinada ou vencimento fixo. Logo ali na frente poderemos ter um modelo como é na Argentina onde alguns integrantes da arbitragem tem um contrato. Mas a gente tem outras habilidades, acaba fazendo outras coisas. Sempre mantendo as formas e acreditando que tudo tem seu tempo.

GECom: Os jogadores sentem falta das partidas. Isso também ocorre com a arbitragem? .
Vuaden:
A carreira do árbitro depende de ele gostar do que faz. Eu digo para os mais jovens que a exposição hoje é muito grande, tem 12 ou13 câmeras transmitindo mas mesmo assim achar que vai ficar milionário apitando... É melhor procurar outra coisa para fazer. O bom jogo de hoje te dá chance de estar na escala de amanhã, por que não tem mais sorteio é escala. E caso a atuação for ruim vocês fica para trás.

GECom: O que podemos avaliar sobre a introdução do árbitro de vídeo no futebol brasileiro?
Vuaden:
Vejo o VAR como uma ferramenta muito importante para o futebol. A desconfiança é muito grande. Há uma visão que somos contra todos e tudo e que vamos aos campos para prejudicar ou beneficiar alguém. Essa ferramenta veio no sentido de dar mais transparência e oferecer para nós o mesmo recurso de quem assiste em casa. Eu não tinha isso e era cobrado. O lance é em fração de segundo e passou. Se eu vi, marco se não sou cobrado. Agora com o VAR se tem essa condição. Isso aumenta a vida útil do árbitro por muitos anos. Não penso no futebol em alto nível sem ter o vídeo. Quantos lances ocorreram neste Brasileirão que seriam equivoco. Evidente que algumas coisas passam, mas parece que 99 acertos vale menos que um erro e essa não é a lógica. Muitas decisões foram reformuladas e corrigiram injustiças. Que bom termos a mesma condição de quem está em casa e poder reformular algumas decisões.

GECom: O que se questiona são os critérios, quando usar o VAR. Como percebe isso?
Vuaden:
É uma ferramenta nova, precisa de ajustes. Nada melhor que um jogo após o outro para aprimorar. Acima de tudo os árbitros respeitam a opinião dos profissionais envolvidos. Da mesma maneira que não interferimos nas escalações dos times, da metodologia de treino, muitas declarações são pontuais e tentando desvincular algumas coisas. Somos empregados e estamos seguindo os protocolos determinados. Existem os momentos de crise e precisamos ficar calmos. A nossa essência é o acerto e isso precisa ser valorizado.

GECom: Aquele momento em que os lances são revisados e vocês tem que aguardar. Há uma sensação ruim?
Vuaden:
Quando entro no campo de jogo sempre querendo acertar. Quando isso não ocorre, é preciso manter a calma e lembrar que o foco inicial é o acerto. Hoje o VAR resolve essa situação. Claro que se não precisar utilizar o jogo flui melhor, mas se for necessário porque não usar? Eu não sou inimigo do futebol, os jogadores fazem o espetáculo e a gente conduz. Que bom ter essa ferramenta que auxilia. Mas é evidente que mesmo com o vídeo os árbitros e auxiliares precisam manter a mesma dedicação.

GECom: Tomou decisão sobre até quando apita o futebol profissional?
Vuaden:
O Leonardo Gaciba estabeleceu que tendo condições físicas pode ir até 55 anos, eu estava preparado até os 50. Ganhando mais cinco anos eu vou fazer o máximo para conseguir, por que apitar futebol me deixa realizado. Faço aquilo que gosto, sou realizado apitando. Vamos renovando a licença a cada ano, procurando fazer o certo dentro e fora de campo.

GECom: Tem conseguido visitar Roca Sales?
Vuaden: Estive ai na semana passada, passei quarta, quinta e sexta. Gosto muito de ir para Roca Sales. Digo para todo mundo, sou filho de agricultores. Visito minha mãe, meu pai infelizmente não está mais aqui, mas está ajudando lá de cima. Gosto de ir, lidar na roça, mexer com a terra. É um momento de tirar o stress, qualidade de vida.

GECom: Cada dois anos teu nome aparece nas especulações em relação às eleições. Com a chance de apitar até os 55, esse projeto espera?
Vuaden:
Vai esperar. Depois que aumentaram até os 55 a arbitragem isso fica em segundo plano. Gosto da boa política e acho que sociedade precisa de pessoas que queiram colaborar neste processo, mas não tem como misturar. Por hora sigo apitando e no futuro vou parar e essa hora vai chegar daí a gente abre essa outra porta.

Texto - Henrique Pedersini
Foto - Douglas Magno/BP Filmes


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